Agricultura familiar no mapa dos pulses: IBRAFE visita unidade da Nossa Terra no Paraná
O presidente do Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais esteve na unidade Prudentópolis, no Paraná, dentro dos estudos do instituto sobre abertura de mercado e a inserção da agricultura familiar na cadeia.
O mercado internacional de feijões é quase sempre contado pela ótica da grande escala. Área extensa, maquinário pesado, contrato de volume. Foi por isso que a visita de Sexta-Feira (14/08) à nossa unidade no Paraná chamou atenção: quem veio olhar de perto como a agricultura familiar organizada em cooperativa produz e movimenta grão foi o presidente do IBRAFE, Marcelo Eduardo Lüders.
A visita faz parte dos estudos do instituto para abertura de mercado de pulses e para a inserção da agricultura familiar nessa cadeia. Lüders esteve na unidade e conheceu a estrutura e conversou sobre o modo como o grão chega até aqui, sai daqui e sustenta a renda de quem planta.
Pulses é o termo técnico que o setor usa para um grupo de grãos que o cooperado conhece bem, mesmo sem chamar pelo nome: no conceito do instituto, entram os feijões, a lentilha, a ervilha e o grão-de-bico. São as leguminosas colhidas secas, aquelas que vão para a despensa e para a panela. Fora do Brasil, esse conjunto é tratado como uma categoria só, com regras próprias de comércio, qualidade e rastreabilidade.
O IBRAFE é o Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais, uma OSCIP sediada em Curitiba, no Paraná, que representa e desenvolve o setor. O instituto completa 20 anos de atuação. Na semana seguinte à visita ao Paraná, a agenda do setor prevê uma missão à China, um dos destinos que aparecem no trabalho de abertura de mercado conduzido pelo instituto.
Do lado da cooperativa, o que estava em pauta na visita é o que a gente construiu em 25 anos. São 1.250 famílias associadas e quatro unidades: Paulo Bento, Erechim e Ponte Preta, no Rio Grande do Sul, e Prudentópolis, no Paraná. Cada uma dessas famílias produz em área que, isolada, não teria peso nenhum na conversa internacional. Juntas, dentro de uma estrutura cooperativa que recebe, classifica, armazena e comercializa, elas têm.
Essa é a distinção que interessa quando o assunto é pulses. Em cadeias que exigem padrão de qualidade e volume constante, o produtor sozinho normalmente fica de fora, não por falta de capacidade produtiva, mas por falta de escala e de estrutura para atender a exigência. A cooperativa existe justamente para resolver essa parte. Quando o setor procura entender onde a agricultura familiar se encaixa no mercado de feijões, o caminho passa por olhar organizações como a nossa.
“A visita do IBRAFE reconhece um trabalho que vem sendo feito há 25 anos por famílias que produzem em pequenas áreas e escolheram se organizar. Nosso papel é dar a essas famílias condições de participar de mercados que, individualmente, elas não alcançariam. Receber o instituto aqui e mostrar como isso funciona na prática é parte desse trabalho”, afirma Adelmir Gaiardo, presidente da Cooperativa Nossa Terra.
A conversa segue no campo do estudo e do conhecimento mútuo. O IBRAFE está mapeando a cadeia e a agricultura familiar entrou nesse mapeamento. Para nós, no ano do Jubileu de 25 anos, ter a estrutura das nossas unidades e o trabalho das nossas famílias associadas colocados sob esse olhar já diz alguma coisa sobre o caminho percorrido.




- Autor: Tiaraju de Almeida Jornalista & Estrate
- Imagens: Divulgação