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UFFS NA REDE | Pesquisador da UFFS fala sobre riscos de um El Niño intenso no Sul do Brasil

Data da Noticia 12/08/2026

O avanço das projeções climáticas para 2026 tem colocado a comunidade científica em alerta para a possibilidade de formação de um El Niño de forte intensidade. No Sul do Brasil, os impactos históricos associados ao fenômeno — como chuvas volumosas, enchentes e prejuízos à agricultura — acendem a preocupação de pesquisadores e órgãos de monitoramento. 

No primeiro episódio de 2026 do programa UFFS na Rede, o professor Pedro Murara, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Chapecó, explica por que o cenário merece atenção especial. Geógrafo, doutor em Geografia e presidente da Associação Brasileira de Climatologia (ABClima), o pesquisador destaca que o atual contexto de aquecimento global pode potencializar os efeitos tradicionais do fenômeno. “Não é apenas um El Niño clássico: ele atua em um sistema climático já mais aquecido e energeticamente mais instável”, afirma. 

Segundo Murara, o principal motivo de preocupação para a região Sul é o histórico de aumento da frequência e intensidade das chuvas durante episódios de El Niño, especialmente na primavera e no início do verão. “Isso amplia o risco de enchentes, deslizamentos, alagamentos e impactos na agricultura e na infraestrutura urbana”, explica. O pesquisador ressalta que o diferencial deste possível evento está na combinação entre o aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial e temperaturas também acima da média no Atlântico. Essa interação, segundo ele, pode favorecer extremos climáticos mais persistentes e intensos. 

O que já se sabe sobre o fenômeno

De acordo com o professor, já há confirmação do aquecimento gradual do Pacífico Equatorial e do aumento das probabilidades de formação do El Niño ao longo de 2026. Instituições internacionais e nacionais de monitoramento climático, como a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), indicam uma transição da neutralidade climática para o El Niño no segundo semestre, com probabilidades superiores a 80% e 90% até o fim do ano. Apesar disso, Murara pondera que ainda não é possível afirmar a intensidade exata do fenômeno. “Termos como ‘Super El Niño’ são mais midiáticos do que científicos”, destaca. 

Ainda assim, as projeções mais recentes apontam que a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, no Pacífico Centro-Leste, pode atingir média próxima de +3,2°C até o final de 2026 — valor superior ao registrado em eventos históricos como os de 1997-1998 e 2015-2016. Para o climatologista, embora os eventos extremos não possam ser evitados, os impactos podem ser reduzidos com planejamento antecipado. “Desastres não são produzidos apenas pela chuva intensa; eles resultam do encontro entre um evento climático extremo e territórios vulneráveis”, afirma. Entre as medidas apontadas pelo pesquisador estão ações de prevenção, mitigação e preparação, envolvendo tanto soluções estruturais, como obras de engenharia, quanto medidas não estruturais, como planejamento urbano, educação ambiental, monitoramento antecipado e soluções baseadas na natureza. Murara também destaca a importância de iniciativas governamentais preventivas, como o decreto de alerta climático emitido pelo Governo de Santa Catarina. “Acredito que essa ação do governo do Estado é um primeiro passo. Um decreto de alerta climático é uma ação preventiva, uma etapa da elaboração técnica para enfrentar os impactos do fenômeno, que pode vir a ocorrer. Mas é preciso estar alerta e preparado”, avalia. 

Como funcionam as previsões climáticas

O professor também esclarece uma dúvida comum da população: como os cientistas conseguem prever o comportamento climático com meses de antecedência. Segundo ele, existe uma diferença importante entre previsão do tempo e previsão climática. “A previsão do tempo se refere às condições da atmosfera em curto prazo, geralmente com base nos dias anteriores. Já as previsões climáticas resultam da análise histórica de determinada região, combinada com monitoramento dos oceanos e modelos computacionais avançados”, explica. Essas análises permitem identificar tendências de comportamento atmosférico e estimar cenários futuros com maior confiabilidade. 

Diante das projeções para os próximos meses, Murara reforça que o principal desafio é a preparação. Para ele, tanto os municípios quanto a população precisam acompanhar informações oficiais e compreender que eventos extremos tendem a se tornar mais frequentes em um cenário de aquecimento global. “É preciso estar alerta e preparado”, resume. 

UFFS na Rede

O UFFS na Rede é uma produção da Universidade Federal da Fronteira Sul que busca aproximar a comunidade de temas relevantes discutidos por pesquisadores da instituição. O episódio com o professor Pedro Murara aborda os impactos climáticos do possível El Niño de 2026 e os desafios de prevenção diante de eventos extremos cada vez mais frequentes. 



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  • Autor: Diretoria de Comunicação Social-UFFS
  • Imagens: Diretoria de Comunicação Social-UFFS

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